EURO 1992, ONDE O IMPROVÁVEL ACONTECEU!

O ano era 1992. Ano bastante conturbado no cenário europeu, onde uma guerra civil assolava a região da Iugoslávia (Em referência, há um texto sobre toda a história (em resumo) do acontecido, e de toda a derrocada iugoslava, bem como as nações que surgem com a dissolução da região), além da queda do Muro de Berlim em 1989, trazendo a unificação das Alemanhas, e o fim da União Soviética no ano de 1991, trouxeram um cenário de pequeno CAOS político e geográfico ao países que entrariam no torneio disputado na Suécia. 

No caso da URSS, como a mesma já estava classificada para a competição, foi convocada uma seleção da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) onde juntaram jogadores de todos os estados formadores da antiga URSS, de modo a que o país pudesse ainda assim disputar a Eurocopa.

A situação alemã era mais simples de resolver, pois após a sua unificação (Decorrente da queda do Muro de Berlim, já citada anteriormente), a única coisa feita foi agregar à seleção já existente os jogadores da Alemanha Oriental, e por consequência, fortalecer ainda mais o seu elenco. 

Com a queda da Iugoslávia, a UEFA exclui a seleção do torneio, abrindo assim uma vaga na competição. A Iugoslávia entra em Guerra Civil, recebendo sanções impostas pela ONU sob a Resolução 757 do Conselho de Segurança da entidade, sendo assim proibida de participar no torneio.

Desta feita, passemos ao torneio, e após trazer uma breve contextualização dessas várias nuances ocorridas nesse período conturbado tanto geográfica quanto(e principalmente) na área política, o Europeu de 1992 traz 8 seleções a competir pela glória maior dentro do "Velho Continente". A anfitriã Suécia faz a sua estreia no torneio, e à exceção da Iugoslávia e da anfitriã os outros 6 participantes foram campeões dos seus grupos, que lhes garantiu a vaga a competição. França, Escócia(estreante), Alemanha, Suécia(Anfitriã), Holanda, CEI (representando a antiga URSS), Inglaterra e a DINAMARCA foram as oito nações em competição nesse ano. E aí vem o charme desse ano do Europeu, a Dinamarca, ou Dinamáquina! Repescada do grupo onde tinha sido segunda colocada(a Iugoslávia havia vencido o grupo), a Dinamarca chega na competição com os irmãos Laudrup (Bryan e Michael) e Henrik Larsen simplesmente voando, e entra em um grupo teoricamente quase impossível de se classificar. França, Suécia e Inglaterra seriam os seus oponentes, numa época em que a vitória ainda valia 2 pontos apenas. Os Danish começam a sua saga contra a seleção inglesa, onde arrancam um empate sem gols, na sua estreia dentro do EURO. Na sua segunda jornada, um deslize, onde perdem contra os anfitriões suecos, de Henrik Larsson, Svensson e companhia, por 1x0, com gol do veloz Thomas Brolin. Na última jornada da Fase de Grupos, batem de frente contra a poderosíssima seleção francesa de Eric Cantona, Jean-Pierre Papin e conseguem vencer por 2x1, selando assim a sua classificação em segundo lugar do grupo 1 do Europeu.

Do outro lado da chave, num grupo bastante mais previsível, Holanda e Alemanha passam à fase seguinte em um grupo que ainda tinham as seleções escocesa e da antiga URSS, alemães e holandeses vêm com seleções também poderosas, e nomes de altíssimo nível como Rijkaard, Koeman, Bergkamp e Marco Van Basten pela Holanda (agora Países Baixos), Klinsmann, Bierhoff, Lothar Matthaus, Bodo Illgner no gol e Effemberg no meio campo eram alguns dos pilares germânicos.

Quando pensávamos que a final já estava definida entre Alemanha x Holanda, reeditando o jogo da fase de grupos, eis que no dia seguinte à difícil vitória alemã contra os anfitriões suecos, a Dinamáquina enfrentaria a poderosa e favorita(e defensora do título, pois havia sido campeã em 1988) Holanda no Estádio Ullevi, em Gotemburgo. Um jogo dificílimo para ambos, onde a Dinamarca coloca-se na frente do marcador logo aos 5 minutos com o suspeito do costume Larsen, também autor do segundo gol Danish aos 33 da primeira parte, que terminaria 2x1 para os "repescados". Dennis Bergkamp fez o gol holandês aos 23 do primeiro tempo. Na segunda etapa, os holandeses tentam o "tudo por tudo", só conseguindo furar o Muro Vermelho aos 41 da segunda etapa, com o gol de Frank Rijkaard, após bate e rebate de um escanteio, levando o jogo para as Grandes Penalidades. Aí brilha a estrela dele: PETER SCHMEICHEL! O guardião dinamarquês advinha o lado na cobrança do craque e Ballon D'Or Marco Van Basten, ajudando os Danish a se classificarem para a grande final, contra os alemães.

CHEGAMOS NO DIA 26 DE JUNHO, A FINAL! 

Alemães e Dinamarqueses frente à frente, para decidir quem iria suceder aos holandeses como CAMPEÕES EUROPEUS! Nas bancadas do Estádio Ullevi, celebridades como Edson Arantes do Nascimento(PELÉ para os íntimos), Chanceler Alemão entre outros políticos e figuras do mundo futebolístico estariam presentes nesse épico jogo de futebol! 

E para não me alongar muito (Se dependesse de mim traria a narração do jogo quase inteira aqui em escrita para vocês), chegamos ao MINUTO 18, onde após uma dura recuperação de bola do camisa 3 Nielsen, Villfort entra pela direita e toca rasteiro para A BOMBA do camisa 7 John Jensen abrir o marcador a favor dos dinamarqueses! Mas quando digo que foi uma BOMBA, foi de fato um foguetasso! Até hoje o guardião alemão Illgner deve ter pesadelos com esse petardo!

Os alemães, com todo o seu poder ofensivo e construtivo, pressionam de todas as maneiras possíveis, obrigando a uma das MELHORES ATUAÇÕES DE UM GOLEIRO EM UMA FINAL DE EUROPEU(Minha opinião), com Peter Schmeichel pegando até sinal de Wi-Fi, até vento, e se vacilar ele ainda pega você também! O paredão Danish estava endiabrado, com defesas monumentais, não à toa sendo considerado o melhor goleiro do torneio, e goleiro do "11 do Torneio".

Perto do final da segunda parte, uma jogada de contra ataque cai nos pés do craque Villfort novamente, e desta vez em um lance de alto nível individual, faz uma finta monumental cortando os dois zagueiros alemães EM SIMULTÂNEO, finalizando no contrapé do guardião Illgner e selando de uma vez por todas essa final, conquistando o título de Campeões Europeus pela primeira e única vez em toda a sua história!

Apenas para trazer duas informações e deixar o texto mais completo, fica aqui o 11 desse Europeu e os artilheiros da competição:

G - Schmeichel (DIN)

D - Reuter, Kholer, Brehme (ALE); Rijkaard (NED)

M - Hasler (ALE), Thern (SWE), Cantona (FRA), B. Laudrup (DIN)

A - Dennis Bergkamp (HOL), Henrik Larsen (DIN).

Artilharia:

3 gols

Henrik Larsen (DIN), Dennis Bergkamp (HOL), Thomas Brolin (SWE), Karl-Heinz Riedle (ALE).

Uma seleção repescada (Não pelos melhores motivos), chega como completo OUTSIDER, apesar de excelentes jogadores, e consegue derrotar grandes e favoritas seleções no percurso, temos que admirar e apreciar sem moderação o que a DINAMÁQUINA alcançou em 1992, um ano que fica marcado na história dos EUROS!


#AprecieSemModeração


Luiz Facchinnetti.

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